dicionário

andava com uma palavra na cabeça desde ontem.

hipocrisia | s. f.

do Gr. hypocrisia, forma poética de hypócrísis, desempenho de um papel no teatro, dissimulação

s. f.,
impostura, fingimento;
manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não tem.

(felizmente não se aplica a muita gente. mas a quem se aplica cai que nem uma luva!)

o filme



o papel da vida de alguém sobre a vida de alguém.
e aqui o actor não se ficou por imitar.
ele foi.
ver este filme foi um ponto de mudança.
o filme sem dúvida.

sadomasoquismo

hoje:
entreguei a carta de condução por 4 meses e fiz a funcionária pública sorrir.
desenhei um chapéu.
fiz um post.
procurei livros de teatro em prateleiras.
fiz uma surpresa.
vi teatro bem feito.
fotografei teatro.
vi um monumento de cima.
tive esperanças que a minha lomo estivesse bem.
entreguei o rolo do concurso de carnaval lomográfico.
comprei uma pinhole de papel.
namorei outras pinholes.
esqueci-me de todas as chaves.
fiquei preso na rua.
fui esperar para o colombo.
vi livros de banda desenhada.
demorei os olhos em livros de fotografia.
comprei dois livros de teatro.
comprei três rolos de 36 fotogramas.
coloquei imagens num blog.
naveguei em sites interessantes.
sofri com sites de substituição.
a bateria do portátil está a acabar.
o telefone toca.
amanhã...
voucheurs, programas, passes,...

o chapéu da discórdia



tempo: segunda para terça feira. (noite de carnaval)
local: bairro alto
evento: concurso lomo de fotografia e máscaras

eu não sou de grandes fantasias. mas a ocasião assim o exigia. escolhi na minha caixa de chapéus um que fosse facilmente identificado como máscara de carnaval.
um chapéu de aspecto militar, verde com uma tira vermelha por cima da pala e botões dourados.
a roupa... preto... a mesma que andei o dia inteiro. acessórios... uma mala muito gasta que uso todos os dias e uma lomo emprestada (que a minha precisa de doutor das lomos e só a vou levar lá esta semana...).

assim fui para o bairro alto e no meio de gueixas, cozinheiros, diabos, mergulhadores, drag queens, ornitólogos, árbitros, sadomasoquistas, louras, fantasmas, marinheiros, rastas (!?), árabes terroristas de barba façanhuda, hospedeiras/pin ups, entre outras máscaras até ia bem discreto.

o que eu não contava era com a ambiguidade da minha tentativa discreta de fantasia. primeiro os olhares curiosos ainda a caminho do bairro alto. depois no próprio bairro alto as saudaçõe militares e as gracinhas tipo: "cuidado que o senhor da autoridade te multa...". até aqui tudo bem. mas de repente alguém grita: " ó carteiro!!!!" HUMMM??? pensei eu? isto é comigo? e era. a partir daí os comentários e as conversas seguiram. catalogado como carteiro tive uma conversa com uma mulher da manutenção e um tipo que não tendo máscara o aconselhei a dizer que vinha de psicopata. no clube da esquina (e ainda como carteiro) posei para uma fotografia que uma senhora de óculos espelhados e carapinha "á lá" anos 70 me pediu para tirar. na rua fotografei uma mergulhadora que suava dentro do neoprene. na esquina seguinte alguém grita com a voz meio etilizada: " tu és o gajo do estaline... és... és..." e rua abaixo falaram-me em pseudo russo e saudaram-me com brindes "vodkianos" tipo: "nasdarovieeeeeeeeeee... ic... ic..." ao que eu respondi cantando: "de pé ó vitimas da fome...", viro a outra esquina e alguém grita: "cuidado com o sr. comandante...". na rua acima alguém me fala de gulags com ar de quem tinha estado lá e bebeu vodka marado que ainda estava a fazer efeito.
saí relativemente cedo do bairro alto porque a concenração de sangue no alcool (a troca é de propósito) da fauna local era cada vez mais baixa e a vezes que tirava o meu chapéu das cabeças de múmias, tipos altos, bêbados e quejandas personagens era cada vez mais constante.

conclusão: a minha tentativa de passar discreto foi por água abaixo e uma profunda crise de identidade espalhou-se na minha alma. mas foi divertido :).