"último dia" ou "a indecisão"



dizem as pessoas que viram esta peça (mais do que uma vez!) que as últimas cenas foram sussurradas e arrastadas como se não tivéssemos vontade de acabar.
estavam certas, mas foi inconsciente.
era o fim de mais um ciclo.
depois de duas entradas para a agradecer surgiu a dúvida.
vais querer relembrar isto?
não resisti e o fotógrafo saltou.
os meus colegas de palco avançaram e eu deixei-me ficar um pouco para trás.
durante 5 segundos e um clic fui fotógrafo em cima de um palco onde agradecia os apluasos pelo trabalho de duas horas como chico | joão | ele.
ainda me dá o nó na garganta ver esta foto.
ainda me dá vontade de chorar ao ouvir a música que me despertou a memória desta foto.
foi dia 1 de outubro de 2005.
desde então o silêncio.

4 comentários:

  1. Anónimo3:58 p.m.

    e de cada vez que coldplay ou chet caker soam numa qualquer onda, regressa o trovão dos aplausos, o nó na garganta e a felicidade de chorar por um trabalho bem feito, por uma gargalhada dada e compartilhada.
    cabe-nos a nós não ficar por aqui. cabe-nos a nós a vontade de contar histórias. porque, acredito, um dia, essa vontade vai colar-se na pele de quem vê, e vão voltar, só para nos ouvir outra vez noutra história qualquer.
    desde esse dia, o silêncio. que nos cabe romper, companheiro. com gritos de revolta porque de amor.
    um beijo. apertado, de nó na garganta, de fantasmas e pós secretos, de que só nós conhecemos o cheiro.

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  2. Anónimo2:23 a.m.

    saudades de vos ver entrar e sair.
    saudades de vos aplaudir lá de dentro da casinha de bonecas.
    saudades de subir lá para cima ao vosso lado,
    de ver o video do sempre noivo por detras das cortinas e de chorar baixinho sozinha sempre que o chat baker entrava e os 4 se perfilavam à mh frente naquele sofá descontraído de uma noite entre amigos.
    saudades de vos ver e querer saltar lá para fora ao vosso lado.

    mais que tudo,
    vontade de o fazer, imediatamente.
    é isso que nos vai ter de fazer rasgar este silêncio. acredito nisso e acredito-o convosco.

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  3. Anónimo9:07 p.m.

    Através de ti conheci pessoas que me são cada vez mais queridas. Não sou do teatro, sou da psicologia, mas se antes os dois mundos pareciam-me próximos, agora estão cada vez mais...

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  4. Anónimo5:05 p.m.

    Pelas razões óbvias, adorei este post...
    Mas vou-te dizer agora uma coisa que ainda não te tinha dito: as palavras que vocês disseram sussurradas e arrastadas, nas últimas cenas? Eu também as ouvi mais sussurradas e arrastadas do que aquilo que disseram... porque não queria ouvir a última cena, nem o último diálogo, nem o último acorde. Não queria ver a última palavra do telão. Então ordenei ao cérebro que tentasse parar aquele tempo de reacção e compreensão do que diziam..

    Raisparta!!! Para a próxima peça, no último dia, quando chegarem à penúltima cena, levantem-se, digam "boa noite, mas esta peça não vai acabar.. vai ficar assim, suspensa, por estes lados" e saiam a correr...

    =) beijinhos a todos

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